Sobe-se pela floresta montana no escuro, e depois a estrada vira e o chão simplesmente acaba. Seiscentos metros abaixo, uma planície de relva estende-se até um lago de soda que fica cor-de-rosa quando os flamingos levantam voo, cercado por todos os lados por uma parede que acabaste de subir de carro. Algo se move perto da água — são elefantes. Há dois milhões de anos, isto era um vulcão que pode ter sido mais alto do que o Kilimanjaro, e um dia desabou sobre si mesmo, e o que restou encheu-se de relva, animais e gado maasai, e assim permaneceu. Não há vedação. Tudo o que lá está em baixo poderia sair, pela borda acima, e na maioria das vezes não sai.
Como surgiu a cratera
Um vulcão que colapsou sobre si mesmo
Há dois a três milhões de anos, o Ngorongoro era um vulcão único que poderá ter sido mais alto do que o Kilimanjaro — a IUGS sugere que poderá ter ultrapassado os 5.000 metros. Depois, a câmara magmática por baixo esvaziou-se, o cume perdeu o suporte e todo o cone superior colapsou para dentro. O que resta é uma caldeira com cerca de 16 a 19 quilómetros de diâmetro e um fundo de aproximadamente 260 quilómetros quadrados, quase totalmente cercada por paredes que se elevam até 600 metros. O rebordo situa-se a cerca de 2.286 metros; o fundo a aproximadamente 1.700.
O superlativo, dito corretamente
O Ngorongoro não é a maior caldeira do mundo — Toba, Yellowstone e La Garita são todas muito maiores, e a afirmação sem qualificações que se vê por todo o lado é simplesmente falsa. O que a própria designação de geoparque da UNESCO afirma é mais específico e mais interessante: é a maior caldeira vulcânica inativa, intacta e não preenchida do mundo. A União Internacional das Ciências Geológicas classifica-a como a maior caldeira não inundada e não fragmentada, concedendo explicitamente que existem maiores com rebordos partidos ou preenchidas por lagos. Essa versão qualificada é a verdadeira.
Um Património Mundial para pessoas e animais
O Ngorongoro foi inscrito pela UNESCO em 1979 ao abrigo de quatro critérios naturais e, novamente, em 2010, ao abrigo de um critério cultural, tornando-se uma propriedade mista de 809.440 hectares, e não uma reserva de vida selvagem. A metade cultural é o registo das origens humanas a oeste: a Garganta de Olduvai, onde os Leakey passaram trinta anos a desenterrar o Paranthropus boisei e o Homo habilis, e Laetoli, onde pegadas preservadas em cinzas vulcânicas registam um hominídeo bípede a caminhar há 3,6 milhões de anos. Os pastores maasai ainda pastoreiam gado na mesma área de conservação.
Perguntas frequentes
Será que o Ngorongoro é mesmo a maior caldeira do mundo?
Não sem uma ressalva. Toba, Yellowstone e La Garita são todas muito maiores. A formulação do próprio geoparque da UNESCO é a versão defensável: a maior caldeira vulcânica inativa, intacta e não preenchida do mundo. A União Internacional de Ciências Geológicas considera-a a maior caldeira não inundada e não fraturada, admitindo explicitamente que existem caldeiras maiores com bordas partidas ou preenchidas por lagos.
Posso descer até à cratera a conduzir eu próprio?
Legalmente, sim — mas três condições têm de se verificar. A NCAA permite apenas veículos 4x4 com peso bruto até 3.500 kg no fundo da cratera, um guia licenciado ou um guia oficial da NCAA tem de acompanhar todos os visitantes da cratera, e as licenças têm de ser pagas. Conduzir pela área de conservação mais ampla é menos restrito e não exige tração às quatro rodas nem guia.
Qual é a melhor altura para visitar?
O próprio boletim turístico da Tanzânia mostra agosto e julho como os meses mais movimentados por larga margem, com um pico secundário em janeiro–fevereiro durante a época de nascimentos e um vale claro em abril, o mês mais chuvoso. Para menos veículos com tempo razoável, setembro e outubro são a melhor época intermédia. A NCAA define a estação seca como aproximadamente de maio a outubro.
Quanto tempo demora a viagem de carro desde Arusha?
Cerca de 159 km até à Porta de Loduare e aproximadamente 180 km até à borda da cratera. Com fluxo livre, são pouco menos de três horas até à porta, mas o valor realista é de três horas e meia a quatro horas até à porta e de quatro a cinco até à borda. Da porta, são mais 20,5 km e cerca de meia hora até à borda e às estradas de descida.
Vou ter mal de altitude na borda da cratera?
Quase de certeza que não. A borda situa-se a cerca de 2.286 m, abaixo do nível de 2.438 m em que o CDC sugere aconselhamento a viajantes e muito abaixo do seu limiar de doença de 3.048 m. O CDC aliás lista Ngorongoro como um local para aclimatização antes de subir o Kilimanjaro. O frio é o verdadeiro problema — as noites descem abaixo dos 10°C de maio a outubro.